É bonito quando alguém te olha
com olhos de quem realmente te vê.
Pelo prisma compartilhado,
você descobriu as minhas cores
e sorriu.
22 de outubro de 2012
19 de outubro de 2012
Parachutes (ou 100 metros rasos)
Quero um acontecimento novo porque já cansei de remoer os mesmos erros. Preciso correr o risco de ainda fazer tudo igual, saber que o medo – aquele instintivo e que ajuda a sobreviver – ainda é meu. Eu sou assim, gasto muito tempo me certificando que o meu caminho não passa pelo encontro de duas ou mais placas tectônicas. Mas, nunca passei tanto tempo sem dar, pelo menos, um passo, como agora.
Nunca precisei vencer uma maratona em chão de areia movediça para provar que sei correr riscos. A vida quis que uma das minhas maiores habilidades fosse adaptação. E me abasteceu com a coragem cautelosa de seguir em frente. De certo, alguma compensação porque tive menos tempo que a maioria das pessoas para deixar o mundo da gravidade zero e desembarcar aqui.
Tive que encontrar pontos de equilíbrio para seguir de pé. Mas, cair nunca foi problema. O apego pela terra firme também não pode ser por acaso. O universo é justo e me preparou para os tropeços. Momentos em que me aproximo bruscamente do chão e sei exatamente como me colocar. A necessidade de movimento deve ser mesmo pegadinha, acontece. Só que as quedas da minha própria altura eu já conheço e não fazem mais efeito.
Um combate eficaz a estagnação de agora seria a injeção de adrenalina de uma queda realmente livre. Três mil pés de altura, sem escrúpulos, sem pudores e sem nenhuma rede de proteção.
17 de outubro de 2012
Coisas para discutir com o analista?
A vontade e o medo da confissão.
A obrigação subentendida,
a intenção comedida
e a vida.
A suspensão da dor,
em nome de cicatrizar a ferida.
E no fim, tudo é convenção:
verdades disfarçadas pela ocasião,
para caber no mundo.
A obrigação subentendida,
a intenção comedida
e a vida.
A suspensão da dor,
em nome de cicatrizar a ferida.
E no fim, tudo é convenção:
verdades disfarçadas pela ocasião,
para caber no mundo.
26 de setembro de 2012
'Se o cara que vem lá, será eu?'
Atravesso a rua, em sinal de que fiz diferente. Não sou mais o mesmo lá do outro lado, já que as árvores não me protegem mais do sol e, agora, enfrento o obstáculo de enxergar contra a luz. Logo eu, que sempre enfrento o medo me acostumando com o escuro e lugares inóspitos, os mesmos que uso para esconder minhas fraquezas. Acrescento dificuldade às coisas para mostrar força, dissimulando o esforço em coragem, para ser maior.
Às vezes, quando o cansaço vem todo de uma vez, me empresto a pose e os trejeitos de uma alma injustiçada. Nessa hora, peço doçura à vida, mas, pela farsa mal ajambrada, recebo de volta aspereza. Então, eu entrego o que tenho de mais doce à vida e ela me devolve certeza.
Essa conta é toda minha, o débito de ter vindo ao mundo deve ser quitado apenas por mim e por mais ninguém. Ninguém tem culpa por eu ser sempre tão constante, mas cheio de dúvidas.
Mudo de lado na rua, tropeço nos buracos da calçada, mas sigo exatamente o mesmo caminho. Não porque é mais seguro ou porque já o conheço, mas porque contempla as vontades de quem me ensinou a andar. E as minhas próprias vontades, sei lá.
18 de setembro de 2012
de Barros são as letras que me orientam
Prefiro o verso que surge espontaneamente .
Aquele que consegue explicar tão completamente
até as coisas que estão do lado avesso,
minhas histórias que ficaram sem começo.
Junto letra pela necessidade de entender,
quando preciso me encontrar...
E agradeço a todos os poetas
que tiveram a generosidade de me explicar.
Mas Manoel, que desconstrói as coisas e faz seu verso
pelo 'acriaçamento gramatical' das palavras, me versou o contrário:
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes
É que ele guarda habilidades que eu não domino,
Aquele que consegue explicar tão completamente
até as coisas que estão do lado avesso,
minhas histórias que ficaram sem começo.
Junto letra pela necessidade de entender,
quando preciso me encontrar...
E agradeço a todos os poetas
que tiveram a generosidade de me explicar.
Mas Manoel, que desconstrói as coisas e faz seu verso
pelo 'acriaçamento gramatical' das palavras, me versou o contrário:
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes
É que ele guarda habilidades que eu não domino,
a sabedoria sintética de menino.
Só aprende "...aquele que gastou a sua história
na beira de um rio"
Só aprende "...aquele que gastou a sua história
na beira de um rio"
3 de setembro de 2012
poema de boa noite (ou jeito de lidar com a saudade)
dorme,
até passar a sensação
de sonho ruim que, às vezes,
se sente no meio de um dia qualquer.
a vida está posta
e acaba de provar que um dia o ocaso chega.
vá para os braços de Morfeu,
embalado pelo conforto de ter perdido.
Isso te permite dizer que o amor, um dia, foi teu.
nada que ainda virá pode suplantar o que foi vivido,
compartilhado e sentido.
até passar a sensação
de sonho ruim que, às vezes,
se sente no meio de um dia qualquer.
a vida está posta
e acaba de provar que um dia o ocaso chega.
vá para os braços de Morfeu,
embalado pelo conforto de ter perdido.
Isso te permite dizer que o amor, um dia, foi teu.
nada que ainda virá pode suplantar o que foi vivido,
compartilhado e sentido.
21 de agosto de 2012
Até que se prove o contrário
Que seja proferida a sentença e que valha cumprir a pena. Porque o caminho da absolvição o condenou a uma vida sem pecados. Tão somente, tornou-se capaz de alguns delitos. Cometidos contra si mesmo. Culposos, mas, com intenção de matar qualquer quebra de expectativa criada sobre o futuro? Não, toda insegurança adquirida serve de testemunha e foi convocada para depor. Dolosos, duplamente qualificados: pela covardia e pela omissão.
Em sua ficha corrida consta ainda a acusação de obstrução da lei de viver em conta própria. Também foi preso em flagrante por estelionato. Especializou-se em falsificação de angústias e dores, substituídas por alegrias de fabricação duvidosa.
Foi levado ao tribunal na condição de réu e vítima, para um julgamento onde a culpa assume ares de juiz. O advogado do diabo, único que aceitou trabalhar no caso, sustenta a tese de que seu cliente cometeu apenas o deslize de manter suas fraquezas em cárcere privado.
– Neste caso, não há crime e, muito menos, algo que mereça a classificação de hediondo. O que existem são atitudes que podem ser consideradas odiosas e de natureza racional. Ninguém é obrigado a produzir provas contra si. Por isso, meu cliente preferiu o silêncio. Afinal, todos têm o direito de permanecerem calados.
Mas, tudo o que não disser pode e será usado contra ele. O acusado ensaia agora o drama de se declarar inocente, mesmo diante de tantas evidências. Se for condenado, a opinião pública espera que o veredito traduza a claque, que se ouviu a todo o momento, vinda do júri: “Além de fugitivo, ficou alheio à própria condição de semiliberdade”.
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