Partiu pra rua
porque o mundo é agora,
a vida é aqui
e tem a lua lá fora
pra dar vontade de ir.
Vi a Poesia indo embora,
pra ficar longe de mim.
Passou pela porta
reclamando por verdade.
Dizia-se cansada
do meu verso covarde.
Não disse quando volta,
mas sei que virá nua...
Buscará antes pela rima crua.
Rejeitará todo motivo raso
e sentimentos sem convicção.
Vai se rasgar em verbos
e separar-se em sílabas,
– se for caso –
pelo simples prazer,
pela transgressão.
25 de março de 2013
8 de março de 2013
Admita
Sorte nenhuma pode te revelar,
A covardia vai destruir,
E o acaso nunca foi famoso por ter paciência.
O tempo vai te cobrar por todo esse desperdício.
Pra que tanto arrependimento?
Pra quê?
Tudo isso, ainda, vai se transformar em amargura.
A cura pro teu medo não mora na ausência.
Você fugiu de si mesmo
E construiu barreiras para se esconder de parte grande do mundo.
No final, em vez de segurança, o resultado pode ser apenas autopiedade*.
A covardia vai destruir,
E o acaso nunca foi famoso por ter paciência.
O tempo vai te cobrar por todo esse desperdício.
Pra que tanto arrependimento?
Pra quê?
Tudo isso, ainda, vai se transformar em amargura.
A cura pro teu medo não mora na ausência.
Você fugiu de si mesmo
E construiu barreiras para se esconder de parte grande do mundo.
No final, em vez de segurança, o resultado pode ser apenas autopiedade*.
*Não tenho certeza quanto a grafia correta desta palavra.
11 de fevereiro de 2013
de janeiro e fevereiro, março
Quero doçura de algodão
aconchegando meu próximo sono.
Quero céu claro de verão
e brisa fresca do meu melhor outono.
Quando o cansaço dos meus braços cessar,
quero pétalas multicores forrando o chão
e cheiro de fruta fresca ao alcance das mãos.
Lavar o rosto no vento tranquilo, vindo de longe,
trazendo estação nova pro meu coração
que voltou a pulsar.
aconchegando meu próximo sono.
Quero céu claro de verão
e brisa fresca do meu melhor outono.
Quando o cansaço dos meus braços cessar,
quero pétalas multicores forrando o chão
e cheiro de fruta fresca ao alcance das mãos.
Lavar o rosto no vento tranquilo, vindo de longe,
trazendo estação nova pro meu coração
que voltou a pulsar.
26 de janeiro de 2013
Quando o carnaval chegar,
a orquestra vai tocar
aquele velho frevo-canção.
Estarei no meio da multidão.
Vou esperar pela menina
que parecerá tão linda
no alto da ladeira da colina
com o estandarte do bloco nas mãos.
Eu espero ter perdido
até as cores da minha sombrinha
que ficará a brincar sozinha,
três esquinas antes.
Porque os confetes são
a chuva que molha todo folião.
Serei todo coração
e quero pulsar até a quarta-feira.
Ter a alma lavada
e o pé de solas marcadas
com as cinzas do chão.
a orquestra vai tocar
aquele velho frevo-canção.
Estarei no meio da multidão.
Vou esperar pela menina
que parecerá tão linda
no alto da ladeira da colina
com o estandarte do bloco nas mãos.
Eu espero ter perdido
até as cores da minha sombrinha
que ficará a brincar sozinha,
três esquinas antes.
Porque os confetes são
a chuva que molha todo folião.
Serei todo coração
e quero pulsar até a quarta-feira.
Ter a alma lavada
e o pé de solas marcadas
com as cinzas do chão.
26 de dezembro de 2012
percepção, sonhos e algum esboço de objetivos
abro mão de querer
um mundo onde eu me encaixe.
vou tratar de me caber
e ser aquele me baste.
quero mais é me exercer
e quem não gostar
que se acostume ou,
simplesmente, se afaste.
chega da indecisão que me dói.
vou fazer da frustração
uma nova tentativa
e encarar meus erros
de maneira construtiva.
fazer da possibilidade
de repetição do desacerto
uma experiência positiva.
quero ser melhor,
na relação com o tempo.
ter uma atitude favorável,
na direção do vento.
desbloquear a estrada
que impede a chegada
dos novos sentimentos.
um mundo onde eu me encaixe.
vou tratar de me caber
e ser aquele me baste.
quero mais é me exercer
e quem não gostar
que se acostume ou,
simplesmente, se afaste.
chega da indecisão que me dói.
vou fazer da frustração
uma nova tentativa
e encarar meus erros
de maneira construtiva.
fazer da possibilidade
de repetição do desacerto
uma experiência positiva.
quero ser melhor,
na relação com o tempo.
ter uma atitude favorável,
na direção do vento.
desbloquear a estrada
que impede a chegada
dos novos sentimentos.
8 de dezembro de 2012
Poema patológico (ou o diagnóstico de um poeta em fase terminal)
A invisibilidade imposta pelo mundo
e tudo mais que eu tratei de esconder!
Volta e meia, numa fração de segundo,
teimam em reaparecer.
E tudo fica claro, nada mais é ameno!
Eu errei a dose da solução, virou veneno.
As fraturas expostas que tentei esquecer...
Estão de volta, dispostas a sangrar e doer!
Cicatrizei feridas sem mesmo deixar sangrar.
Achava que hemorragia interna fosse mais fácil curar,
porque, mesmo deixando hematomas,
os efeitos do remédio que tratam os sintomas
não demoram a chegar!
Talvez seja melhor o sangramento,
tem horas que a patologia é sentimento.
Sentimento preso cresce e pode se espalhar.
Metástase, doença crônica que pode me matar!
e tudo mais que eu tratei de esconder!
Volta e meia, numa fração de segundo,
teimam em reaparecer.
E tudo fica claro, nada mais é ameno!
Eu errei a dose da solução, virou veneno.
As fraturas expostas que tentei esquecer...
Estão de volta, dispostas a sangrar e doer!
Cicatrizei feridas sem mesmo deixar sangrar.
Achava que hemorragia interna fosse mais fácil curar,
porque, mesmo deixando hematomas,
os efeitos do remédio que tratam os sintomas
não demoram a chegar!
Talvez seja melhor o sangramento,
tem horas que a patologia é sentimento.
Sentimento preso cresce e pode se espalhar.
Metástase, doença crônica que pode me matar!
6 de dezembro de 2012
Às vezes, não é preciso entender o que a letra diz
Às vezes, basta a melodia da vida e fazer-se feliz.
Tudo que é dito, às vezes, é apenas som,
basta entrar no ritmo e encontrar o tom.
Quero seguir a vida por sua trilha sonora.
Barulho de gente que ri, briga, vive,
faz planos, se arrepende, se esquece
e aprende, tudo ao mesmo tempo agora.
Era verde a cor do teu encanto,
e esse nem era o maior deles, no entanto.
A música trouxe com ela outros tantos.
É assim que espero passar pelo mundo,
de olhos abertos, para ver as cores do vento.
Com o coração pulsante, para fazer curvas e dançar,
quando a canção ressoar pelas cordas do tempo.
Às vezes, basta a melodia da vida e fazer-se feliz.
Tudo que é dito, às vezes, é apenas som,
basta entrar no ritmo e encontrar o tom.
Quero seguir a vida por sua trilha sonora.
Barulho de gente que ri, briga, vive,
faz planos, se arrepende, se esquece
e aprende, tudo ao mesmo tempo agora.
Era verde a cor do teu encanto,
e esse nem era o maior deles, no entanto.
A música trouxe com ela outros tantos.
É assim que espero passar pelo mundo,
de olhos abertos, para ver as cores do vento.
Com o coração pulsante, para fazer curvas e dançar,
quando a canção ressoar pelas cordas do tempo.
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