14 de abril de 2011

e o quintal

Todos os cômodos, com tantos móveis,
uma casa vazia.
Dois corpos habitantes, duas almas distantes.

Juntou o que lhe cabia.
e saiu.
Saiu pela porta, dizendo que ia
ter todo o desconhecido como guia.

Sentado no sofá, fingindo que
não sabia.

Um sempre escolhe
entre opções prontas que não são suas.
O outro decide, abre a porta.
olha o quintal e descobre a rua.

13 de abril de 2011

A casa*

Resolvi ficar em casa,
com suas portas e janelas
que podem, ou não, serem abertas.
Quem tem as chaves?
Quem escolhe?

Neste caso, eu escolhi, vou ser a casa,
ficar imóvel.


*Quando o tempo faz entender o sentimento e novas palavras ajudam a explicar, 15/04/2011.

12 de abril de 2011

"Corte seco também sangra?"*

– Capitou a sonora dela?
– Uhum.
– E com ele deu pra gravar, falou com ele?
– Ele não quis falar muito, mas tem quase doze minutos de fala dos dois.
– Tá certo. Manda pra redação que  a gente edita. O resto a gente cobre com off.


Eu ainda sou indiscreto o suficiente para precisar de mais do que seis perguntas para entender as coisas que acontecem. E eu nem quero mandar no tempo. Mas, em quanto tempo se conta uma história? E aí Jornalismo, ainda tem tempo pra contar histórias? Tem tempo pra alguma outra coisa? E aí Jornalismo, tem tempo? 

E aí Flávio, tem?
E ai?


*Corte Seco é espetáculo teatral. As encenação acontece e história é alterada ao vivo, de acordo com a edição da diretora Christiane Jatahy. 

9 de abril de 2011

Que tudo mais acabe, tudo tiver aqui e não cabe.
Tudo que fecho em mim e não abre.
Que toda construção velha, desabe.

É que, às vezes, a gente precisa do novo
Tem vez que não adianta ficar inteiro, sabe?

Mas...

Jogar tudo fora assim, vale?


Waiting for the sun to shine - Moska e Kevin Johansen

7 de abril de 2011

Nasceram-me surdo e mudo

Com que olhos eu quero ver o mundo?
Com os olhos da medíocre idade
Que tenho agora.
Com olhos de que nem ligo,
Com esse jeito que vivo.
Como se não fosse comigo.

Fingindo que, lá no fundo,
Não tenho parte na mediocridade.
Que fica do lado de fora,
Porque se entrar, eu desligo,
Afinal, assim que sobrevivo
De enxergar só meu próprio umbigo.

5 de abril de 2011

Linhas correspondentes

Pensa grande.
Pisa forte.
Chega aonde.

(sobre tudo que aí está)
(só pra não cair)
(no lugar em que for preciso)

3 de abril de 2011

Manda chamar o sono, pede pra ele vir.
Diz que tem que ser logo, antes que ele durma primeiro.
Eu acordado não aprendo nada.
Eu preciso saber como são as coisas de lá.
Mesmo que não saiba de nada, a cada dia seguinte.
Só o que tem aqui, é pouco.
Não demora e chega o tempo em que nada daqui interessa.
Aí eu vou saber como é esse outro tempo.
Vou saber se tem...