24 de abril de 2011

O que os olhos não vêem, a conveniência nonsense

O que fazer com quem covardemente volta?
O que dizer para quem covardemente se explica?

O que responder?
Quem souber,diga.

Pois não?
Alguém aí, de coragem, se arrisca?
Justificar a atitude covarde de quem viu na roupa do rei os botões e os laços de fita?

No entanto, estou nú.
A vergonha me veste.
E, por enquanto, minha covardia fica.

23 de abril de 2011

Guarani

A água escorreu
de tanto ir a pé.

Entrou chão a dentro,
na esperança que tinha de
ser de novo a maré.

Em vez de reencontro,
achou-se de um jeito novo,
num outro lugar.

Fez do seio da terra
seu novo mar.

21 de abril de 2011

'De longe e ainda...'

Vim de longe, arrastei meu cansaço até aqui. Mas, não quero descanso, só deixar o peso e seguir. Mesmo sem ter o caminho, vou em frente. Foi assim que aprendi. Diferente do que pode parecer, não significa que os obstáculos foram ou são superados. Passei por eles e, muitas vezes, fiquei. Fiquei por muito tempo e alguns aprenderam a me seguir.

Há tempo também que sei caminhar, talvez, ou quase com certeza, menos que a maioria das pessoas. Isso me ensinou que cada passo precisa ser firme. Toda vez que eu caio, sei o porquê. Os empecilhos que me seguem não sabem andar sozinhos. Eu faço isso por eles. E para alguém com tantas pernas, a queda é conseqüência. No entanto, é.mais que isso. Toda queda é necessária.

Nunca quis saber o melhor caminho ou jamais desejei ficar parado. O bom da vida é viver. Isso inevitavelmente implica movimento.  Preciso agora achar o lugar. Que não seja um lugar para mim, se não for a hora. Porém, que seja o lugar em mim. Onde todos os erros e o peso fiquem e eu, finalmente, siga. Aonde for preciso.

17 de abril de 2011

A hora de não estar mais aqui

O tchau por entre as grandes do portão e o jeito de ficar mais longe a cada passo. Fez saber que cabe tudo,  que é relativo ao apego, dentro da distância. O coletivo de todas essas coisas é saudade. Aprendi o tamanho das distâncias, que são várias. 'Gosto mais da menor delas, o encontro'. Mas, seu tamanho não permite todas as coisas do apego, só as mais importantes. Só cabe nós dois. O fato é que eu nunca estarei preparado para o extremo oposto, quando o apego virar falta e o coletivo de tudo passar a ser lembrança.  
***
Como podem os olhos
serem tão falantes?
Dizer assim tanto,
se é da boca esse dever infame?

16 de abril de 2011

no meu mapa-mundi
tem a latitude das palavras
pra poder ir mais além.
tem a longitude das letras
pra não ser eu só.
pra ser bem  de perto também.

15 de abril de 2011

Rasguei-lhe a roupa toda
Queria ver mais além da transparência
Toquei seu corpo
Descobri do que era feita
Falei de leve perto do ouvido:

 – Ceda!