17 de março de 2011

Conversa do lado de fora

– Tudo o que eu não fiz ontem.

– Vai estar tudo igual amanhã.

– Mas  a gente devia sair pra dançar.

14 de março de 2011

Cinco

Do abraço,
a mão e o braço.
O jeito de enxergar vida
e o nunca conseguir ver nada.

Aprender e ter os ouvidos atentos
e não usar os cinco sentidos.
O sentir e os sentimentos
contidos.

A busca desesperada e eterna pela palavra,
justo daquele que não sabe dizer nada.
Fala tudo sempre na hora errada
e o que mais precisava dizer.
Guarda.

Essência,
ir além da ausência.
Ocupar um lugar inteiro que seja,
mesmo onde ninguém  nunca o veja.
Só sinta e receba sua marca em transparência.

11 de março de 2011

Queria te dar os meus braços, 
mas eu não sei tirar o vazio que têm. 
Quase não sobra lugar pra mim,
 faz tempo que não há lugar pra ninguém.

8 de março de 2011

Pierrot

Levanta, lava o rosto e bota uma roupa limpa. Escolhe teu melhor sorriso e mostra pro destino que ele pode ser só um lugar pra ir. E o último dia de carnaval, pode ser todo o resto da sua vida.

6 de março de 2011

Que jamais se diga sobre mim: 
Foi pelos caminhos. Todos!
Ele pensava em descobrir qual deles é o certo.

Pois, para isso, há de se ter o coração muito pequeno!
O coração se mede pelo tamanho de sua busca.

Eu digo sobre mim:
Vou pelos caminhos. Tantos!
Que nenhum deles seja totalmente certo ou errado.
Para que saibam que não são únicos. 
Seja em qualidade ou quantidade.

Quero um coração grande na hora da escolha.
Eu vou escolher o que é certo?
No meu dicionário o 'certo' é verbo!


5 de março de 2011

Verbete

Preciso das palavras de significados simples,
Mas que digam bastante.
Das coisas que tenho para  dizer,
Não são muitas e nem são grandes.
São só, o suficiente, para encher umas poucas linhas.
O que tiver de mais importante, 
Reservo para o espaço que há entre uma linha e outra.
E todo o resto deixo para o silêncio,
Que começa logo depois das reticências.

1 de março de 2011

Eu quero a rima, mesmo se a rima for cara.
Se o preço for alto, do tamanho da carência,
Que me cobre tanto e quanto a indecência
De ter sido deixado...

No último domingo, a primeira coisa que eu disse pro mundo (o meu mundo) foi: eu resolvi que vou sentir saudade hoje. Não foi sobre saudade que falei aqui, porque saudade só se sente daquilo que se teve. Eu não tive coragem pra isso (não tenho). Eu sempre permaneci em mim mesmo. E permaneço aqui pelo verso sincero, como sempre foi. Perdão eu peço à poesia. Perdão pela indecência de mentir e querer cobrar por isso. Que a única rima que importa não me abandone, aquela que vale pelo apreço sincero e necessário para que ela exista. Perdão.