30 de outubro de 2013

Adquiriu o hábito da renúncia,
desde muito cedo.
E se perdeu, aos poucos
e irremediavelmente,
na fronteira entre a generosidade
e a covardia.
Os dias ele via
sem inspiração
"E a vida que ardia 
sem explicação".
Agosto passou,
agora o vento é outro.
E eu, que venho sem fôlego,
vi a vida mudar de propósito.
Ela fingiu! Tudo igual, o lugar é o mesmo de antes,
sem direito a suspiro para encher os pulmões
com ar de recomeço.

19 de outubro de 2013

Poema do sacrilégio

O poema feito de terço.
Tenho fé na força da rima 
para fazer nascer um verso.
A prática sublime, verdadeira ação divina
é capitar a beleza em cada dia.
Em vez do Rosário, rezo Poesia,
Enxergo cor aonde a luz não ia,
crio novo universo a partir do nada
e coloco tudo aonde nem cabia.

9 de outubro de 2013

Deixa queimar,
que brasa é coisa viva.
Modifica a gente,
transforma só de encostar.

Faz de lenha teu rancor.
Joga em direção às chamas,
 e deixar queimar.
Quando for ver, a mágoa
já tem nome de cor.

Depois é só reparar,
tua aflição virou cinza
e quando o dia ventar,
passou!

3 de outubro de 2013

Um sopro de maré que tem som de Lira

Entra,
te preparei uma almofada
que é azul,
da cor do céu.

As nuvens
mandei fazer de algodão
que, além de macio,
também é doce.

Agora,
vou preencher o vazio
que ainda resta aqui
com toda beleza
que você me trouxe.

Abri a janela,
deixei a brisa entrar
era o vento de bossa,
coisa boa e nova
que vinha do mar.

30 de setembro de 2013

em verso da lágrima presa, o poema é do desencontro

faz tempo
que a alegria
não acorda comigo.
o mesmo tempo
que passei tentando
expulsar as mágoas
pelos olhos.
mas, não consigo.

7 de julho de 2013

versos de amora

vou deixar crescer em mim um pé de fruta
e vai ser um pé de fruta doce.
pr’eu lembrar todos os dias em que não fui feliz
pr’eu não esquecer de como queria que cada dia fosse.

e a cada fruta colhida,
a cada primeira mordida
vai ser pra reparar onde a vida me trouxe

e foi bom.