20 de abril de 2013

Quando a dúvida vem, cheia de medo,
lembro do que nunca lhes contei...
Aquele segredo,
decidi guardar porque precisei de força.
Ouvi dizer que quem sabe pode mais.
Era algo que devia mudar a minha história, eu achei.
Refiz o enredo
pra combinar com as minhas escolhas, com desfechos possíveis.
E de repente, fiquei sem ninguém pra passar o texto,
revisar meus erros.
Um roteiro, perdeu os diálogos e eu nem reparei,
que se deu pr’um monólogo.
Palavras repetidas em silêncio e à exaustão,
até que caibam na boca
e o ar nos meus pulmões me permita dizer que sim.

10 de abril de 2013

ême

Amor feito da gente
que nos cabe completamente,
encontra razão na cumplicidade
e na teimosia de sermos tão diferentes.

E deixa o tempo passar...
Deixa o giro do mundo seguir,
a vida vai nos mudar de lugar
e a saudade latente deve surgir.
A ausência fará o Amor reagir,
descobrindo um jeito novo de existir.

Porque a distância não pode apagar
as marcas deixadas na alma, na pele, na mente
e nem diminuir o que nos uniu outrora
ou o que nos mantém juntos agora.
Esse Sentimento que é para todo o sempre.

9 de abril de 2013

A desenhista



Segura a minha mão e muda o meu traço.
Senta aqui do meu lado,
Adianta meu passo,
Rumo ao futuro e a tudo que é bom.

Melhora o esboço que eu fiz...
Dividi comigo as nuances no teu pincel,
Vem gastar comigo a velha caixa de giz.

Chega de melancolia em tom pastel,
Enche minha vida de arte.
Educa meus pés, ensina-os a dançar.
Enquanto te faço um chá, meu amor.

Eu te faço um doce de querer ficar.
Canto pra você uma canção bonita,
Pro nosso lugar ser só luz e cor.

5 de abril de 2013


Toda essa de fumaça de silêncio,
esconde as dores deixadas pelo incêndio.
Queimaduras de graus incalculáveis
que resultam em cicatrizes indissolúveis.
É como eu me sinto agora, queimando.
E nunca sei o que fazer...
quando o tempo ou a vida me exigem pranto.
Sentir eu sei
e sinto tanto...
Eu só não sei chorar.

25 de março de 2013

sem fazer alarde

Partiu pra rua
porque o mundo é agora,
a vida é aqui
e tem a lua lá fora
pra dar vontade de ir.
Vi a Poesia indo embora,
pra ficar longe de mim.

Passou pela porta
reclamando por verdade.
Dizia-se cansada
do meu verso covarde.
Não disse quando volta,
mas sei que virá nua...

Buscará antes pela rima crua.
Rejeitará todo motivo raso
e sentimentos sem convicção.
Vai se rasgar em verbos
e separar-se em sílabas,
– se for caso –
pelo simples prazer,
pela transgressão.

8 de março de 2013

Admita

Sorte nenhuma pode te revelar,
A covardia vai destruir,
E o acaso nunca foi famoso por ter paciência.
O tempo vai te cobrar por todo esse desperdício.
Pra que tanto arrependimento?
Pra quê?
Tudo isso, ainda, vai se transformar em amargura.
A cura pro teu medo não mora na ausência.
Você fugiu de si mesmo
E construiu barreiras para se esconder de parte grande do mundo.
No final, em vez de segurança, o resultado pode ser apenas autopiedade*.






*Não tenho certeza quanto a grafia correta desta palavra.

11 de fevereiro de 2013

de janeiro e fevereiro, março

Quero doçura de algodão
aconchegando meu próximo sono.
Quero céu claro de verão
e brisa fresca do meu melhor outono.
Quando o cansaço dos meus braços cessar,
quero pétalas multicores forrando o chão
e cheiro de fruta fresca ao alcance das mãos.
Lavar o rosto no vento tranquilo, vindo de longe,
trazendo estação nova pro meu coração
que voltou a pulsar.