Nem foi por acaso
que, naquele dia,
desejou que a luz do sol
fosse embora mais cedo.
Talvez o medo.
Mas, tem dias
que a lua não quer chegar.
A lágrima não vem inteira,
seca dentro dos olhos e se esvai.
Deixando só vontade, sem chorar.
O sentimento é sincero, mas
a alma não está leve,
a mente não se fez livre,
o corpo não foi entregue
e o coração não virou mar.
17 de agosto de 2012
3 de agosto de 2012
Moonlight particular
Acorda...
Vai pra vida, o mundo
não é seu e nem deve ser.
Abraça suas responsabilidades
do mesmo jeito que abraçaria um amigo querido
e tira aconchego dos seus deveres.
Aproveita o dia e vai.
Quando chegar a noite, pára
e olha um instante pro céu.
Vez em quando, tem lua completa
e vestida de renda.
Ela também não é sua, mas,
quando você repara, ela está lá
só pra você.
31 de julho de 2012
Nasceu um desalento em mim
que é quase um desacato.
Eu preciso é do desatino do sim
porque confesso tudo pra dentro e, no fim,
o meu apego pelo não, é desabafo.
A fruição do mundo se faz em des-contato
o meu apego pelo não, é desabafo.
A fruição do mundo se faz em des-contato
e eu, que nasci desatento assim,
percebo o não-dito, o não-feito, o não-fato.
Mas me esqueci do tempo, fui no vento
e, nesse descompasso, perdi o sapato.
Porque eu sou feito de terra de firme, guiado pelo razão
quero ver quem diria
se não sou firme
de pés descalços, liberto a minha alma
na poesia
voo sem sair do chão.
e, nesse descompasso, perdi o sapato.
Porque eu sou feito de terra de firme, guiado pelo razão
quero ver quem diria
se não sou firme
de pés descalços, liberto a minha alma
na poesia
voo sem sair do chão.
26 de julho de 2012
17 de julho de 2012
2 versos e um inteiro
Vive pro lado de dentro,
não aquilo que é segredo,
mas as coisas que ainda são metade.
.
não aquilo que é segredo,
mas as coisas que ainda são metade.
.
14 de julho de 2012
E todas aquelas vezes que a meteorologia alertou sobre a velocidade do vento, não serviram para nada. De repente, a medida que passa a valer é algo que fica entre a leveza e o peso da falta de ar. Tudo em volta some, a gente sufoca e passa a desejar, ardentemente, qualquer sopro.
Algo além do desespero, achar que é bem melhor estar olhando para o furacão do que o vácuo. É assim que se sente, preso dentro de coisa alguma e em nenhum lugar. A indiferença com que ele tem tratado a vida anestesiou a passagem dos dias, mas não serve de remédio para a dor.
E o pior de tudo é sentir saudade de si mesmo. Ele se abandou já faz tanto tempo. "Pra que buscar recaída, reviver o drama, mexer na ferida? Por onde se engana o coração, se encontra a saída pra vida". Deixa pra lá, esse tempo morto. Passado com a mesma pressa com que se usa as gotas pra contar. Achando que se guardava do mundo, perdeu-se nesse jeito lento de se desperdiçar.
17 de junho de 2012
Origami
Conceda-me a palavra, mas saiba
que hoje eu estou sem voz.
Só posso lutar contra a gravidade
que pesa sobre as minhas mãos.
Juntar as sílabas de todo o meu
silêncio e dobrá-las em flor.
Sem consertos possíveis desta vez,
deixa sua alma saber o que é o mundo.
que hoje eu estou sem voz.
Só posso lutar contra a gravidade
que pesa sobre as minhas mãos.
Juntar as sílabas de todo o meu
silêncio e dobrá-las em flor.
Sem consertos possíveis desta vez,
deixa sua alma saber o que é o mundo.
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