26 de julho de 2012

'Mudaram as estações...'
E, aonde elas foram, fica longe de mim.
Eu fiquei, pra ver o tempo passar.
"....tão árido.. que não faz diferença alguma entre chuva, vento, ou calor abrasador"

17 de julho de 2012

2 versos e um inteiro

Vive pro lado de dentro,
não aquilo que é segredo,
 mas as coisas que ainda são metade.


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14 de julho de 2012

E todas aquelas vezes que a meteorologia alertou sobre a velocidade do vento, não serviram para nada. De repente, a medida que passa a valer é algo que fica entre a leveza e o peso da falta de ar. Tudo em volta some, a gente sufoca e passa a desejar, ardentemente, qualquer sopro.

Algo além do desespero, achar que é bem melhor estar olhando para o furacão do que o vácuo. É assim que se sente, preso dentro de coisa alguma e em nenhum lugar. A indiferença com que ele tem tratado a vida anestesiou a passagem dos dias, mas não serve de remédio para a dor.

E o pior de tudo é sentir saudade de si mesmo. Ele se abandou já faz tanto tempo. "Pra que buscar recaída, reviver o drama, mexer na ferida? Por onde se engana o coração, se encontra a saída pra vida".  Deixa pra lá, esse tempo morto. Passado com a mesma pressa com que se usa as gotas pra contar. Achando que se guardava do mundo, perdeu-se nesse jeito lento de se desperdiçar.

17 de junho de 2012

Origami

Conceda-me  a palavra, mas saiba
que hoje eu estou sem voz.
Só posso lutar contra a gravidade
que pesa sobre as minhas mãos.
Juntar as sílabas de todo o meu
silêncio e dobrá-las em flor.



Sem consertos possíveis desta vez,
deixa sua alma saber o que é o mundo.

25 de maio de 2012

- 'Fecha a cortina dos teus olhos'.
- O meu cheiro vai alcançar teus pensamentos.
- E te fazer sonhar comigo.

Vá 'noitear', disse minha neguinha.
Desse jeito ela sabe que me tem.
É assim que eu sei que ela é só minha.
Eu aqui de longe, ela sozinha.
Também sou dela e de mais ninguém.

13 de maio de 2012

Deixa transbordar quando couber mais nada.
Espere que a água lave as feridas.
Querendo deixar não sofrer,
foi se livrar de viver.
Chegará  a hora da esperança cicatrizada,
não terá vida para ser lembrada,
mas estará implorando para esquecer





3 de maio de 2012

Tinha o menino um coração gelado
porque, com a lenha que juntou,
fez a fogueira que aqueceria suas mãos e pés.
Assim, conseguiria ir onde tivesse que ir
e faria o que fosse preciso fazer.
Mas, ficou parado.
Coração que não pulsa não mostra o caminho.
Quando foi que ele se esqueceu
que era feito e movido pelas batidas do tambor?